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São Paulo celebra sua cultura tradicional em festival com 200 municípios

O Revelando São Paulo, Festival de Cultura Paulista tradicional comemora a 54ª edição, celebrando na capital paulista com grupos de comunidades tradicionais, artesanato, culinária, cortejos e carros de bois.

Catira, caiapó e cavalhada. Cururu, jongo, chiba e reiada. Batelão, fandango, moçambique e batuque. Quem relacionaria este sonoro vocabulário a São Paulo? Sempre associado à tecnologia e à modernidade, o Estado mais populoso do país é rico também em manifestações culturais tradicionais e religiosas.

Do litoral ao Pontal do Paranapanema, todas as regiões paulistas mantêm vivos folguedos, danças, festivais, artesanato e culinária, cujas origens remontam à colonização do Brasil. Uma riqueza que esconde várias curiosidades. Em um exemplo: pouca gente sabe, mas São Paulo é um reduto no País dos bonecos gigantes.

De 12 a 21 de setembro, toda esta riqueza estará concentrada em um só local: o XVIII Festival da Cultura Paulista Tradicional. Mais de um milhão de pessoas são esperadas ao longo dos 10 dias de programação no Parque Vila Guilherme Trote, localizado na Zona Norte da Capital paulista.

O Revelando São Paulo tem como objetivo aproximar o público do diverso Patrimônio Imaterial da Cultura. É uma forma de divulgar estas manifestações e fortalecê-las, pois são praticadas por parte significativa da população como cultura viva.

Cerca de 300 grupos de cultura tradicional vão se apresentar durante os dez dias do evento. Além disso, serão instalados 90 espaços de culinária, 160 de artesanato, Rancho Tropeiro, tenda cigana e espaço quilombola. Serão realizados, ainda, cortejos pelas ruas da cidade e cavalhadas.

Culinária

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Foto: Reinaldo Meneguim.

A mesa paulista é um espetáculo à parte para quem vem ao Revelando. Dos doces aos pescados, passando pela comida tropeira, todas as regiões do Estado estarão representadas nos espaços culinários, com receitas tradicionais das culturas caipira, caiçara e piraquara. Tudo preparado na hora, incluindo o uso de fornos e fogões a lenha que serão construídos especialmente para o festival.

Da Região do Vale do Ribeira, vem a tainha assada e molho de camarão, acompanhados com farinha de mandioca produzida pelas próprias famílias dos pescadores. Do município de Lagoinha vem o requeijão de prato, o frango caipira com polenta e farinha de milho de monjolo.

Dez municípios participam do festival apenas com doces e sobremesas, incluindo goiabada cascão, doce de leite, cocada de jaca, doce de casca de limão e paçocas. Quem aprecia um bom café terá a chance de saborear a bebida feita com grãos torrados artesanalmente e na hora, socados no pilão e passados no coador de pano.

O espaço de culinária traz também algumas surpresas e curiosidades, como “João Deitado” – broa de milho com erva doce enrolada na folha de bananeira e recheada com goiabada, do distrito de São Francisco Xavier e a farofa de Iça muito comum na região do Vale do Paraíba.

Artesanato

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Foto: Sergio Cubas.

O Pavilhão de artesanato apresenta uma mostra significativa do que é produzido pelas comunidades tradicionais em todo Estado. E o foco não esta apenas no produto mas também no produtor, que é detentor destes saberes e ofícios. São trançados, bordados, escultores, santeiros, rendeiras, ceramistas, todos produzindo e mostrando seus ofícios durante o Festival.

O Destaque deste ano fica para o espaço “Em torno do Barro”, que reúne 12 municípios e suas mestras e mestres tradicionais, que trabalham com barro que farão vivencias e rodas de conversa.

Brincadeiras de todos os tempos

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Foto: Reinaldo Meneguim.

As crianças de todas as idades também são contempladas na programação do Festival. Bonecas de pano, bonecas de palha de milho, carrinhos de madeira, jogos das 5 Marias, peteca e bolinha de gude, estarão à mostra e venda. Neste espaço, além de acompanhar a produção destes brinquedos, será realizado oficina de pipas e brincadeiras infantis.

Passeios de Carros de Bois e Charretes

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Foto: Paulo Cauhy.

Com o objetivo de fazer o encontro com o rural. Cerca de 300 animais, entre bois, cavalos, burros e búfalos fazem parte da Fazendola no Festival Revelando São Paulo. Diariamente o visitante poderá fazer passeios de carros de bois, charretes e cavalos a preços acessíveis. Nos finais de semana, estes animais participam dos cortejos pelas ruas da Zona Norte e também é acontecem as tradicionais Cavalhadas de jogos e cênicas, retratando as rivalidades entre Mouros e Cristãos.

Verdejando

Um espaço dedicado a educação ambiental com exposições de plantas, flores, hortas, arvores frutíferas. Diariamente vão ter rodas de conversa e exposição de flores.

Transreligiosidade

Foto: Paulo Cauhy
Foto: Paulo Cauhy

Também a diversidade religiosa de São Paulo estará presente no Revelando. No primeiro domingo da programação, 14 de setembro, uma grande cerimônia com a presença de representantes de várias religiões – afro-brasileiras, evangélicas, católica, budista, entre outras – culmina com a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Capela da Mãe Rainha

Foto: Reinaldo Meneguim.
Foto: Reinaldo Meneguim.

Nesta edição do Revelando Capital, a Imagem da Mãe Divina Peregrina será acolhida pela Capela São José, localizada na Av. Nadir Dias de Figueiredo, 1804, que fica a 100 metros da entrada do parque.

A Capela será carinhosamente chamada de Capela da Mãe Rainha, uma homenagem ao primeiro nome da Capela, que se originou de um pequeno grupo de senhoras, residentes nas proximidades A imagem da Mãe Divina Peregrina chegará na Capela no dia 13/09, conduzida pelo cortejo Ubuntu, para a visitação de todos que desejarem.